sábado, 8 de maio de 2010

CUIDADO COM AS CISTERNAS ROTAS

Por Pastor Sérgio Pereira

“Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas que não retêm as águas”. (Jr 2.13)

O profeta Jeremias viveu nos anos entre 627 e 587 a.C. Foi profeta durante quarenta anos, profetizando a Judá e as nações gentílicas. Jeremias nunca casou. Viveu no reinado de Josias, ocasião em que houve um avivamento, ainda que de pouca duração; no reinado de Zedequias, que apesar de gostar de ouvir o profeta, não colocava em prática o que ele falava; também do rei Jeoaquim que desprezava as suas palavras e inclusive tentou matá-lo. O povo de Judá estava afastando-se de Deus, este então enviou Jeremias para falar do perigo que estava incorrendo em não voltar para a fonte de águas, que é o próprio Deus. Por quarenta anos Jeremias denunciou o pecado do povo e os chamou ao arrependimento, sofrendo por isso severas privações. Foi lançado na prisão por duas vezes (Jr 37,38), foi levado forçadamente para o Egito (Jr 43), foi rejeitado por seus vizinhos (Jr 11.19-21), sua família (Jr 12.6), e pelos reis (Jr 36.23).
Cisterna, vem do hebraico “bor”: lugar cavado, poço. É um termo usado 67 vezes no Antigo Testamento, e a cisterna era um lugar onde era guardada água potável. A maioria dessas cisternas eram reservatórios cobertos, escavados na terra ou na rocha, para onde escorria o excesso das águas da chuva e guardadas para serem usadas no período da seca na Palestina que abrangia entre maio e setembro. Uma cisterna seca e abandonada podia ser usada como cárcere, conforme vemos com José e com Jeremias (Gn 37.22; Jr 38.6). Por sua vez, cisternas rotas eram cisternas rachadas, que não guardavam a água e não a mantinham limpa. Qualquer viajante que se aproxima de uma cisterna rota percebe que não há água potável. Apesar de todo trabalho dos que a escavaram, foi inútil, pois não há esperança nessa cisterna para os que a procuram.
O texto supracitado chama a nossa atenção para dois males que Judá estava cometendo: deixaram o manancial de águas vivas e cavaram cisternas rotas.

1- O POVO ABANDONOU O SENHOR, A FONTE DE ÁGUAS VIVAS – Jr 17.13
Deus é a fonte de água viva, nossa vida depende dele. Sem Deus você não vive. Deus é a fonte de vida abundante, Deus não é uma cisterna, mas uma fonte. Uma cisterna apenas armazena água, mas uma fonte produz água. A água corre da fonte. A fonte é inesgotável. A fonte tem água viva, água limpa, água cristalina, água que flui abundantemente. Isso é um símbolo da vida que Cristo nos oferece. Quem nele crer tem uma fonte a jorrar para a vida eterna. Quem nele crer nunca mais terá sede.
Judá abandonou o Manancial de águas vivas. Foi uma rejeição lenta, por dias sem fim. Um esquecimento despercebido, devagar, aos poucos: cedendo um pouco aqui, um pouco ali; não falando de Deus aos filhos conforme ordenava a lei mosaica; levando um cordeiro desqualificado para o sacrifício, realizando um ritual vazio, sem sentido espiritual, apenas na aparência; esqueceram das ofertas alçadas; esqueceram dos pobres e necessitados; perderam-se na prostituição. O pecado do povo é tão grave que até os céus ficam espantados e são tomados como testemunhas (Jr 2.12). É algo simplesmente inacreditável! Israel saiu da direção de Deus e procurou o Egito e a Assíria. Fez isso pensando que seria lucro, mas foi uma grande perda; pensaram que seria uma benção, mas receberam o castigo; pensaram que sairiam saciados mas ficaram mais sedentos (Jr 2.17-19).
Se Deus é o manancial das águas vivas, por que o seu povo o abandona? Muitas vezes, o povo tem se cansado de Deus. Tem sido atraído e seduzido pelo pecado, pelo mundo, pelas cisternas rotas.. Miquéias pergunta: “Povo meu, que te tenho feito? Por que te enfadaste de mim?” (Mq 6.3). O filho pródigo estava insatisfeito na casa do pai e foi para um país longínquo onde gastou tudo o que tinha vivendo dissolutamente. Após perder tudo percebeu que na casa do pai havia uma fonte inesgotável onde até os menos favorecidos tinham oportunidade para servir-se (Lc 15.11-32).

2- O POVO DE DEUS CAVOU CISTERNAS ROTAS QUE NÃO RETEM AS ÁGUAS
Ao invés de aproveitar os abundantes rios da Palestina, Israel estava cavando cisternas que não retinham as águas e cujas águas não eram saudáveis, causando varias doenças. A essa prática chamamos irracionalidade, loucura, autodestrutibilidade.
Por afastarem de Deus, eles cavaram cisternas rotas, quebradas, rachadas que além de não reterem as águas deixando vazar, eram cisternas em que a conservação da água ficava comprometida.
Eis o perigo de ser seduzido por algo artificial. Israel deixou o Senhor e se deixou ser seduzir por ídolos. Israel pensou: o nosso Deus é muito exigente. Queremos uma religião que nos custe menos, que nos dê mais liberdade, que não nos cobre tanto. Queremos ser livres como os outros povos para fazermos conforme a nossa própria vontade sem nos sentirmos feridos pela nossa consciência.
Cisternas rotas é a maneira humana de satisfazer suas necessidades espirituais. São Doutrinas segundo as suas próprias concupiscências capazes de amontoar mestres segundo seus próprios desejos e ambições. (II Tm 4.3). É a busca desenfreada por prazer nas coisas do mundo e um tipo do cristão que nunca guarda o que lhe é confiado (II Tm 1.14; Ap 3.11). É a aceitação do sincretismo religioso, que condensa um pouco de tudo, trazendo uma opção religiosa um pouco mais interessante. A teologia da prosperidade com suas inovações materialistas e cheias de “sementinhas” no seu bojo, nocauteando grandes lideranças que ficam assoberbadas com a garantia do dinheiro fácil.
Cisternas rotas falam da constante inversão de valores entre os cristãos pós modernos. O que era pecado, já não é mais. O que dantes prejudicava, agora parece fazer bem. Os cultos foram transformados em shows, os pregadores e cantores em estrelas pop stars, a adoração genuína em louvorsão ritmado com músicas frenéticas com letras carregadas de heresias e manipuladoras da grande massa. A igreja vira clube, o pastor que deveria ser profeta e denunciar essa inversão, pelo contrário, se deixar levar pela nova onda, pois percebe que dessa forma é mais fácil enriquecer em nome de uma fé operante totalmente distorcida daquela apresentada pelas sagradas escrituras. Os programas evangélicos de TV sob o pretexto de evangelizar, fazem grandes campanhas de sementes, num discurso que até parece ouvirmos os vendedores de indulgencias dos dias de Lutero. A oração que nos eleva até a presença do Altíssimo tem sido substituída por um determinismo condenável do tipo “eu determino”, “eu ordeno”, “eu exijo”, “eu reivindico”, como se fossemos nós a mandarmos nos desígnios do Eterno.
Ao preferir cisternas rotas, o povo alimenta-se de pó ao invés de beber da fonte. Quem troca o Senhor por outras fontes pode morrer de sede. Por causa da água que bebemos das cisternas, vivemos dias de completa insensatez, de extrema loucura. Negamos a veracidade de Deus e abandonamos o Senhor por completa ignorância das Escrituras (Os 4.6). Cavar cisternas rotas gera fadiga, exaustão, desilusão.

Até quando vamos ficar reivindicando cabritos para festejar, se desfrutamos da agradável companhia do pai? (Lc 15.29-31). Até quando vamos morrer de sede, se Cristo nos oferece água que jorra para a vida eterna? (Jo 4.10,13,14). Precisamos compreender que Deus é a fonte de águas vivas e somente Ele prove água capaz de transmitir vida (Is 55.1; Jo 4.10; 7.37-38). Precisamos entender que: O conteúdo vale mais que a aparência; a família vale mais que o serviço cristão; a igreja vale mais que os outros lugares; a Palavra de Deus vale mais que as experiências pessoais; e o Criador vale mais que a criatura.

Mensagem pregada pelo Pastor Sérgio Pereira no Culto de Edificação Espiritual na Assembleia de Deus do Distrito 8 – Shalom/Espinheiros, Joinville (SC), em 04/05/2010.

9 comentários:

alberto filho disse...

Pastor Sérgio,
A paz do Senhor,

Partilho da sua dor, da sua comoção, e preocupação com as cisternas rotas cavadas pelos homens que estão abandonando a verdadeira fonte de águas vivas. que é o nosso Deus.
Preocupo-me, de verdade, pela aparência de que a terceira trombeta estaria sendo tocada antecipadamente, em razão da queda daquela estrela que fez com que as águas se tornassem em absinto, ao cair do céu.

Será qu voltamos àquele Egito,àquele deus-estrela, Renfã, hoje, representado pela figura energumênica da teologia da prosperidade, cavando essas cisternas rotas, enquanto nos afastamos de Deus?
Muitos homens estão morrendo por causa das águas não saudáveis dessas cisternas - elas se tornaram amargosas (Ap 8:10,11).

Deus meu! Renfã ou, no hodierno, Teologia da Prosperidade, é um demônio com a forma de uma estrela, parte integrante do trono de Etbaal, rei de Tiro,comparado à Satanas, pelo profeta Ezequiel (Ez 28:13)

Diz-se que quando da expulsão dos demônios Renfã, este deus-estrela foi desglorificado e revestido de grande amargor (muito amargo.
Por esta razão, João o chama de absinto.

Pastor querido, resta-nos o alento de que Deus, cujo nome é Deus dos Exércitos, exigirá justiça na Casa de Israel e irá desterrar esta insidiosa teologia da prosperidade (Renfã) para além de Damasco (exílio para longe da pátria - Dt 28:36,64), conforme o profeta Amós, em Am 5:26,27.

Este desterro foi corroborado por Estevão, quando disse,em sua defesa junto ao Sinédrio,lembrando o livro dos Profetas,que Deus iria desterrar, para além da Babilônia (At 7:43) aqueles que estavam induzindo o Seu povo a cavar cisternas rotas, apregoando e publicando ofertas voluntárias para o seu gosto (Am 4:5b) e, hoje, para satisfação de Mamom.

Prossiga pastor.
Precisamos da sua fala inteligente para alertar-nos sobre as falácias de Renfã e de seus mentores Quium e Sicute.
Deus conosco,
na paz
Alberto Couto Filho

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Prezamado pr. Sérgio Pereira,

A paz do Senhor!

Gostaria de ter participado deste culto em que este alimento foi entregue à igreja.

Creio que muitos sairam pensantes da responsabilidade entregue em nossas mãos, e a necesidade de uma insistente e consistente pregação em que os sentidos sejam abalados com a real presença de Deus nos alertas que seus atalaias entregam aos crentes.

Vivemos o momento em que a necessidade em não temermos o homem, se faz cada vez mais presente.

O Senhor seja contigo em sabedoria e conhecimento!

O menor de todos.

Pr. Sérgio disse...

Prezado Irmão Alberto Couto Filho, graça e paz!
Fico imensamente feliz por sua visita e comentário nesse blog.
Seu comentário além de alegrar esse blogueiro, acrescenta em informações e em edificação para todos os leitores que por aqui passam diariamente. Sua facilidade entre as palavras faz-me glorificar ao Eterno por me permitir ter amizade com uma mente tão brilhante quanto a sua.

Um forte abraço!

Pr. Sérgio Pereira

Pr. Sérgio disse...

Nobre Pr. Newton Carpintero, graça e paz!
Como sua participação por aqui sempre me alegra e me contagia!
Seu amor pela verdade das Sagradas Escrituras é cada vez notado por suas palavras inflamadas de zelo pelo nosso Bom e Eterno Deus.
Como o senhor bem colocou, no culto em que esta palavra foi ministrada, não poucos vieram ao altar para receberem graça divina a fim de discernirem entre o manancial de águas vivas e as cisternas rotas que nos são oferecidas. Durante toda uma semana, fui procurado por irmãos e rimãs que contagiados pela Palavra suplicaram ajuda espiritual e intercessão.
Que Deus nos ajude a sempre termos uma Palavra cotnra todos os modismos que dominam o presente século.

Um forte abraço!

Pr. Sérgio Pereira

Ivan Tadeu disse...

Paz pastor Sergio!

Campo novo, nova vida, novos alvos. Que o Senhor te abençoe nesta nova jornada.

Votos do Amigo

IVan Tadeu

FOrte abraço

Pr. Sérgio disse...

Caro amigo Ivan Tadeu, graça e paz!

Agradecido pela carinhosa visita e pelo incentivo dado ao meu ministério.
Que o Eterno coroe de êxito o seu profícuo mnistério.

Um forte abraço!

Pr. Sérgio Pereira

Miss Maura disse...

Pastor como saudavel a vida espiritual ouvir esta mensagem. Ainda mais nos dias de hoje que a maioria do sermoes sao. .cisternas rotas com aguas contaminadas que nos deicha doente, Nao esta facil prosseguir, temos que por muitas vezes buscar na net tentando achar fonte,manacial que nos alimenta edifica, sendo que temos que pesquisar muito. Moro em Londres aqui esta cada dia mais dificil achar uma igreja que haja manacial, fonte. Uma sensacao de solidao, a maioria dos pogramas de TV e um cassino. tenho chorado e podido ao Sr, me direciona a uma igreja. E agradeco a Deus por existir Pastor como Sr que deicha Deus USA lo nos fazendo acordar da apostasia. Paz missionaria Maura

neal disse...

Prezado Irmão Sérgio,

Gostei muito dos escritos sobre as cisternas rotas mencionado em Jeremias me ajudou a entender melhor pois estava estudando hoje, obrigado, espero que sejam informações verdadeiras pois fico feliz com "a verdade clara como a luz do evangelho pleno de Jesus".
Sou de Florianópolis na verdade natural de São José, vizinho, e sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Desculpe a pergunta, mas o que você conhece sobre o Livro de Mórmon? já leu?

tatiane rodrigues disse...

Pr. Sergio
meu coração alegra em alimentar da sagrada escritura através das suas sábias palavras, que o espírito santo ser contigo mais e mais.
fica na paz